De volta ao conselho do condomínio

Gente, pois é… respondendo à pergunta de minha mãe, feita em 2007, “filha, quanto tempo você vai aguentar (não ser síndica)?”… Síndica, não sei se voltarei a ser, mas confesso aqui, publicamente, que voltei a fazer parte do conselho do condomínio há 1 ano. Vejam como a ficha demorou pra cair. E só agora tenho coragem de vir aqui falar pra vocês. Mas é isso. Durante 1 ano eu fui uma dessas conselheiras que repudio, uma marasmenta, que não faz nada e disfarça quando o síndico cheio de boa vontade e humildade tentava falar comigo rapidinho sobre um problema do prédio.

Agora, depois do choque de ter que revisar 9 pastas de prestação de contas a toque de caixa para a assembleia que aconteceu há uma semana, estou de volta! Revigorada, cheia de ideias pra dar e com a vassourinha a la Janio Quadros a postos (calma, o meu síndico é honesto, mas tá meio cansadinho, meio sem ideias, meio acomodado…)

Somando à minha super disposição o fato de eu estar trabalhando no templo da administração imobiliária e condomínios, que também abriga os síndicos, vocês que me aguardem!!!! Além de relatar causos antigos, de minha gestão no prédio de kitchnet, poderei contar algumas historinhas boas do meu novo prédio e também do que sai na imprensa, além de trazer informações super úteis para você que compartilha a mesma carga que eu ou tá a fim de fazer da sua comunidade um lugar ainda melhor pra se viver.

No fundo, sei que vocês estavam morrendo de saudades de mim, ansiosos pela chegada deste dia.

A Síndica

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Memórias de uma síndica

Finalmente chegou o dia em que eu comunico a minha renúncia ao cargo de síndica. Para a tristeza de vocês, meus fiéis leitores (mesmo eu não tendo sido muito fiel nos últimos meses… reconheço que praticamente os abandonei), e também de meus vizinhos, que ficaram muuuuito, profundamente entristecidos com minha saída voluntária. Afinal, eu não fui a típica síndica chata. Eu fui praticamente uma anônima no dia a dia, e até que coloquei um pouco de ordem no “barraco”. Concordam?

Não adianta chorar, espernear, fazer abaixo-assinado porque eu não vou voltar! Bem, pelo menos, como dizem os mais sarristas de meus amigos chegados, não nesse prédio! Calma, mãe, eu não serei síndica novamente, no máximo farei parte do conselho fiscal… (será que é aí onde tudo vai recomeçar?!?)

Minha renúncia aconteceu há dois meses na assembléia ordinária anual. As razões:

1) Vendi meu apartamento por um ótimo preço e vou me mudar de lá em breve. Dando continuidade ao relato das maldades de meus amigos, dizem eles que eu já não me contentava mais em ser síndica de um prédio de kitchnetes, que era pouco para uma síndica com tanto potencial. Eles insistem em dizer que vou maquinar um golpe no novo prédio onde morarei, que vou depor o síndico atual e tomar o cargo dele… Eu MEREÇO ouvir esse tipo de gracinha…

2) Voltando… a segunda razão: eu não agüentava mais. O cargo já estava prejudicando minha vida social.

Foram muitas as emoções que marcaram a assembléia e ainda houve uma grande reviravolta. Minhas contas foram aprovadas por unanimidade, praticamente com louvor, foi feito o reajuste da cota condominial com redução do rateio de fundo de obras. Pelo visto minha administração até que foi boa. Conseguimos juntar dinheiro suficiente para pagar uma obra importante a ser feita este semestre.

Pois é, a gente rala para outro levar os louros da obra feita. Mas o duro não é só outra pessoa levar a boa fama, mas QUEM vai levar a boa fama. Este é o momento da reviravolta da noite. O item da ordem do dia, a essa altura, era a eleição do novo síndico e conselho consultivo. Candidatos? Nenhum. Diante daquele silêncio constrangedor, alguns voluntários ainda se ofereceram para integrar o conselho. Na já reduzida assembléia sobrou uma pessoa desconcertada, olhando para os lados, que exclamou: – Pelo visto só sobrei eu para o cargo de síndico.

Meus cínicos leitores, quem vocês acham que foi o único candidato da noite para me substituir? Relembrem minhas histórias… há personagens que são inesquecíveis. Não, não foi a bruxa do 71. Foi o dono dos cachorrinhos histéricos!!!! Eu olhei intrigada para o gerente da administradora que estava secretariando a reunião e perguntei quase sussurrando: – Ele não pode nem votar porque ainda não pagou a multa pelo barulho dos cachorros, quanto mais ser candidato! – e para minha surpresa, ele me informou que o homem estava com a ficha limpa… O sujeito pagou a multa e eu nem fiquei sabendo! Mal pude acreditar. Obviamente foi eleito por unanimidade.

Embora não seja mais uma ilustre síndica, ainda tenho na manga algumas boas histórias. Se vocês prometerem que não vão deixar o blog às moscas, eu prometo que volto a postar com mais freqüências minhas histórias hilariantes.

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A síndica invadindo o sonho dos amigos…

Dia desses uma grande amiga minha puxou o seguinte papo comigo no MSN:

- Menina, tive um sonho com você!
- Me conta!
- Sonhei que a síndica do meu prédio havia saído e que você tinha se mudado pro prédio para ser síndica no lugar dela!
- Ahahahahaha

Acho que minha vida de síndica anda impressionando/preocupando meus amigos… Será que paro com os relatos?!?!?!

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Latidos, reclamações, multa e muita confusão

* Antes de mais nada, já vou prevenir o leitor: senta que lá vem história. Hoje o post é um desabafo daqueles.

Um problema canino está prestes a virar um caso jurídico. E já está tirando o meu sossego. Como uma síndica acima de tudo jornalista, apoio o direito de expressão dos membros da comunidade residente no prédio e mantenho um veículo de comunicação com os moradores: um caderno que fica na portaria. Os porteiros não têm autorização para me perturbar com moradores querendo falar comigo ao interfone a qualquer hora do dia ou da noite. (Não sei porque raios as pessoas acham que os síndicos estão à sua inteira disposição. Olha, gente, os síndicos também têm vida própria, viu?) Quem quiser falar com a síndica, vai ter que escrever, e bem direitinho, o seu recado. Se for necessário, uma reunião é marcada. Senão, a resposta à dúvida, comentário, reclamação, sugestão vai vir ali mesmo, no caderno. Os moradores foram instruídos sobre como se comunicar: são obrigados a fazer identificação completa e com letra LEGÍVEL, porque eu não tenho obrigação de entender o garrancho de ninguém.

Digamos que as pessoas até que se disciplinaram a usar o veículo de comunicação e quem realmente quer falar comigo, escreve. Recentemente um morador registrou reclamação de barulho de latido vindo de um outro apartamento. Apurado e confirmado o fato, foi enviada uma advertência para que o novo morador, que tem um cão, dê um jeito no animal. Passado um tempo, outro morador registrou a mesma reclamação: latidos insuportáveis do apartamento vizinho a qualquer hora do dia ou da noite. Palavras dele: “basta abrir a porta que o cachorrinho já começa a latir”. Como foi reincidência, uma multa foi aplicada. Ah, pra quê? O dono do apartamento e do cão entrou em contato com a administradora para “se explicar” e quis falar comigo. Deixou recado verbal com o porteiro. Obviamente que não atendi. Mandei registrar no caderno. Orientação obedecida, atendi a pessoa. No meio da conversa, descubro que não é apenas um cão, mas dois. DOIS cães num apertamento de 31m2. Coitadinhos dos cachorrinhos. Fiquei com dó deles. Mas não do infeliz de seu proprietário, que é egoísta ao ponto de obrigar seus animais a morarem num cubículo e os deixar sozinhos por cerca de 10 horas diárias, enquanto vai trabalhar.

Gente, eu abri o regulamento do prédio e expliquei que, devido ao tamanho dos imóveis, só era permitido um animal por apartamento e que há a lei do silêncio que não é apenas regulamento do edifício, mas lei municipal. A pessoa, já naquela arrogância típica dos advogados (meus amigos advogados, não se ofendam, mas …), veio logo me dizendo: “esse item aí que diz que eu só posso ter um animal no apartamento eu rebato facilmente na justiça porque de acordo com o novo Código Civil blá blá blá” Ahhhhhh! Advogados deveriam aprender a falar e a escrever antes de abrir a boca e redigir o que quer que seja. Além de arrogantes, são pouco objetivos. E como se não bastasse cansar meus ouvidos com a ladainha da lei – que, na minha ignorância, nem sei se procede -
tentou me convencer a tirar a multa. Ahhhhhhhhhhhh de novo. “Claro que não retiro! Você não cumpriu o que está escrito no regulamento interno. Não estou perseguindo você e nem seus animais, mas o regulamento diz que em caso de barulho – seja piano, latido, conversa, música etc – dentro do horário de silêncio, multa deve ser aplicada. E foi.”

Continuando a saga canina, a pessoa disse que os animais estão passando por uma fase de adaptação e fizemos um acordo: que no prazo de um mês ela se empenharia em reeducar os bichos ao novo meio ambiente e os funcionários checariam com os vizinhos se o barulho diminuiria. Não havendo melhora ao fim do período, ela se comprometeu a contratar um adestrador profissional. Avisei que um comunicado seria enviado a todos os moradores dos dois andares para que as pessoas tenham ciência de que providências estão sendo tomadas.

Quando penso que o assunto está resolvido, a administradora me liga esta semana para me avisar que o tal sujeito foi pessoalmente até lá levar uma contestação de TRÊS páginas à multa de míseros R$ 30,00 . Fiquei indignada! Eu, com tantos afazeres muito mais importantes para tratar naquele prédio, ter dor de cabeça com um mala que perde seu tempo contestando uma mixaria dessa… pensei seriamente em renunciar ao cargo. Era tudo o que me faltava. Naquele prédio mora tudo quanto é tipo de gente: pobre, classe média, preto, branco, amarelo, faxineira, advogado, brasileiro, alemão, hetero, biba, concertista, modelo, engenheiro, doente mental alcoólatra. Faltava o mala sem alça que perturba a síndica.

Eu nem li o documento. Mas sei que ele termina com algo assim “… estudos da Sociedade Protetora dos Animais (ou algo semelhante) afirmam que as pessoas que possuem animais de estimação são mais felizes.” Gente, eu to aplicando multa por barulho e o dito cujo me vem com esse papinho de que animal de estimação faz bem pra saúde pra contestar a multa?!? Só advogado MESMO pra tentar justificar seu erro com essa conversinha mole, hein?!?! Faça-me o favor. Falei que não vou retirar essa multa e que é pro departamento jurídico da administradora responder com base na lei. Se tiver que partir pra acareação, eu vou fazer acontecer. Vou botar os dois reclamantes em frente ao morador com seus cãezinhos “adoráveis” para ver quem é covarde de voltar atrás no que escreveu. Ai de quem fizer isso.

E em conversas com amigos e parentes , decidi procurar a tal Sociedade Protetora dos Animais e expor o caso na próxima semana. Não seria o caso de maus-tratos abrigar dois cachorros num apartamento de 31m2 e deixá-los sozinhos por 10 horas diárias? Se esse sujeito quer usar a lei, eu também vou tentar usá-la. Em prol do bem-estar dos adoráveis cãezinhos, que não têm culpa de absolutamente nada.

* Sei que é feio pedir comentários em blog, mas desta vez, querido leitor, conto com sua opinião, sugestão e orientação jurídica (sim, meus amigos “arrogantes” queridos) para me ajudar a solucionar o problema da melhor maneira possível! A síndica agradece.

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E não é que deram o maior flagra na síndica?

Pois é… um dia é o dia da caça e o outro, do caçador. Eu virei caça, caros leitores. Fui flagrada! Levei bronca! E dei risada de mim! Retomei as aulas de piano e um dia de noite estava lá estudando, tocando no meu piano um exercício chatíssimo, irritante, nem eu estava mais me aguentando, mas como ainda precisava melhorar, insisti. Eis que toca o meu interfone e eu atendi já com um sorriso amarelo no rosto. Diálogo entre o porteiro norturno e eu:

- Dona Síndica, (com voz trêmula, dessas que a pessoa ri de nervoso), desculpa incomodar esse horário mas é que a vizinha do 1111 já me interfonou umas três vezes reclamando que tá vindo do seu apartamento um barulho de piano. Eu falei pra ela que de jeito algum que a essa hora a senhora faria barulho…
- É, senhor porteiro, ela tem toda razão, eu estava de fato estudando piano e não me dei conta que já passava das 22h. Peça desculpas a ela e diga que eu já parei.

Justo eu!!!

Já eram 22h30. Coitada da vizinha! Se eu pelo menos estivesse estudando uma música bonita, mas que nada, era uma martelada só, atrapalhando a coitada que devia estar tentando dormir ou assistir algum programa na TV.

Diz o regulamento interno do prédio: “Em caso de reincidência, levará multa que varia de 20% a duas taxas do condomínio”. A síndica que se cuide.

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Lei de Murphy exerce um poder especial sobre a síndica

Organização e planejamento são palavras que não faltam no meu dia a dia de síndica. Mas quando a Lei de Murphy resolve exercer seu poder sobre a síndica… HAJA JOGO DE CINTURA!!! Logo no começo do ano eu programei as férias dos cinco funcionários em seqüência para poder contratar por cinco meses um senhor bem responsável e de confiança que já cobriu férias anteriormente para o prédio. Mal retorna de seus 30 dias de férias, o primeiro funcionário da lista já me “apronta”: me aparece com um atestado médico com problemas de hérnia de disco. “Eu mereço! Justo eu, tão organizada, com tudo planejadinho…” Bem, a vida é dura e a vida da síndica é mais ainda.

Para piorar as coisas, a licença dele já estava teoricamente valendo – e eu teria que fazer mágica para conseguir um novo funcionário para cobrir essa licença de 15 dias do dia para a noite – se não fosse um erro do médico, que colocou na data do período da licença o ano de 2006. Salva pelo gongo!!! Não foi dessa vez que o Murphy me destruiu.

Lembrei-me que uma amiga com quem dividi apartamento no passado havia comentado que terceirizaram a portaria do prédio onde moramos e todos os funcionários – muito bons – foram demitidos. Ela me passou o contato de um deles que prontamente se dispôs a cobrir o porteiro afastado. “Ufa!”

Mas… alegria de síndica dura menos que de pobre. Passados os 15 dias da licença, o funcionário afastado entrou com licença pelo INSS – o que significa afastamento por tempo indeterminado até que a perícia comprove que ele tem condições de voltar ao batente, o que pode ser daqui um mês ou nunca mais – e o porteiro substituto me diz que não queria mais continuar porque – pasme! – “o salário era pouco”. Sim, eu sei que salário de porteiro não é lá essas coisas, porém o cara tá desempregado, casado e com quatro filhos pra sustentar fazendo bico de vendedor de churrasquinho na esquina e reclama do salário?!?!?! Eta categoria complicada!!! Olha, acho que só eu vejo alguma vantagem na carteira assinada que garantiria a ele recolhimento do INSS, vale transporte, vale refeição, cesta básica, férias, 13º, FGTS etc.

Como se já não bastasse o pessoal ter que se revezar trabalhando a mais para cobrir o buraco do novo ex-funcionário, aquele senhor “bem responsável e de confiança” contratado para cobrir as cinco férias traz uma grande notícia: conseguiu um emprego fixo e no dia seguinte não vai mais trabalhar!!!! Bom pra ele… e só para ele, porque para mim…. “Justo comigo isso tem que acontecer! Sou tão organizada, faço tudo tão planejadinho…” Pois é… haja hora extra para o meu time… e haja sorte para conseguir dois novos funcionários confiáveis, responsáveis e espertos para começar no ato.

A Lei de Murphy só não é mais forte do que a Lei de Deus, que tá sempre do meu lado! A administradora, milagrosamente, me deu muito apoio e cinco dias depois já estavam trabalhando os dois novos funcionários, que continuam até hoje!

Mas se eu contasse pra vocês a saga da antena coletiva… certamente lágrimas solidárias verteriam de seus olhos. Fica para o próximo post!

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Feriadão dedicado ao prédio…

Pois é, caros leitores, hoje o dia é de desabafo! Pleno feriadão o que foi que eu resolvi fazer??? Encarnar a síndica e trabalhar em prol do prédio e da comunidade a que pertenço!!!! Meu emprego me dispensou na sexta-feira e eu aproveitei que não tinha mais nada de interessante nessa vida e em São Paulo para fazer e fui pra labuta.

É… eu achava que a tarde de sexta-feira seria super produtiva, que haveria tempo suficiente para eu revisar todas as pendências, atualizar a tabela dos itens em andamento, priorizar as obras e as atividades que precisam ser feitas, revisar as pastas de prestação de contas dos meses de fevereiro, março e abril e teria a noite livre. Mas é CLARO que eu me enganei redondamente. Debrucei-me sobre as planilhas que eu mesma inventei, revirei e-mails antigos trocados com o administrador do prédio, fiquei lá inserindo e eliminando itens nas planilhas e… nem toquei nas benditas pastas de prestação de contas!!! A vontade que tenho é de chorar!!! Eu ODEIO essas pastas!!! Havia prometido para mim mesma no começo deste ano que não as deixaria se acumularem em minha escrivaninha… e lá estão elas, vermelhinhas, juntando pó em cima da minha impressora :S

Resultado: além de não ter me livrado das pastas e as repassado para os conselheiros darem continuidade ao ciclo burocrático da sindicância, não confio mais nas próprias promessas que faço a mim mesma!!

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Homenagem para a Bruxa do 71

Hoje vou dedicar este post para a Bruxa do 71 que mora no meu prédio. Não é privilégio apenas da vizinhança do lendário seriado “Chaves”. O que seria de nós sem uma Bruxa do 71??? A vida seria calma demais. A paz reinaria. Os funcionários seriam felizes e, segundo a filosofia de vida dela, isso não pode acontecer. E o que dizer da síndica sem a Bruxa? Ah, a síndica seria a pessoa mais tranquila do mundo e jamais desistiria de ocupar o cargo “tão almejado”.

Bem, a Bruxa do meu prédio merece alguns posts, mas vou tentar resumir as últimas peripécias dela em apenas um. Ou será que começo pela primeira? Nossa, são tantas que pra selecionar teria que recorrer à minha memória que não é lá essas coisas, embora eu tenha apenas três décadas de vida.

Lembro-me dos áureos tempos em que eu era uma singela sub-síndica, porém, como você sabem, sempre muito próativa. Na época (nossa, eu falo como se isso tivesse acontecido há uns dez anos, mas foi há apenas um), uma obra fundamental estava sendo realizada e, infelizmente, era necessário que a equipe entrasse em cada apartamento para fazer parte do trabalho. Tudo foi avisado com antecedência em comunicados oficiais protocolados, com os procedimentos a serem realizados e o cronograma de entrada nas unidades descritos. Chegou o dia de entrarem em seu apartamento. Ela não pôde acompanhar o trabalho pois precisava sair, mas deixou a chave com o zelador. Só sei que quando ainda estava no trabalho, já no final do dia, meu celular toca. Adivinha quem era?? A Bruxa. Já começou falando alto, descontroladamente. Disse que havia deixado tudo arrumado para que o pó da parede que seria quabrada não entrasse em seu apartamento, mas que “de propósito” – sim, as Bruxas têm mania de perseguição – os pedreiros e o zelador haviam removido a proteção instalada e que sua casa estava inundada num pó só. Que seu sofá estava estragado, seus móveis deteriorados e a culpa, logicamente, era minha. Disse que era alérgica a pó e que teria que dormir em hotel até que o apartamento fosse limpo. E que a conta do hotel e da limpeza seria do prédio… Ah… essa Bruxa… sempre acusadora, sempre querendo tirar vantagens. Digamos que tentei dialogar com ela, falei que iria averiguar com o pessoal da obra e daria um retorno para ela. Mas ela, impaciente, não me deixava falar. Começou a falar por cima de mim. Aí, eu avisei: “Bruxa, você vai me deixar falar ou vai continuar a gritar o seu monólogo? Se não me deixar falar, vou desligar”. Claro que a Bruxa é SURDA, né? Aí eu desliguei. Sim, na cara, na maior falta de educação que uma síndica poderia ter. E olha que eu sou educada. E paciente. Digamos que a Bruxa deixou recado escrito no caderno de comunicação (sim, quem quer reclamar tem o trabalho de anotar tudo num caderno e assinar. Não existe esse papo de interfornar na minha casa a hora que quiser. Regras são regras e meus funcionários são bem cientes dessa em especial). Não contente, mandou uma carta registrada – muito da mal escrita, diga-se de passagem – relatando seu drama de ter gasto uma quantia X para limpeza de seu apartamento e eu… IGNOREI, claro.

Essa atitude de desligar o telefone na cara me remeteu a outro episódio com a mesma bruxa. Novamente tivemos uma obra, aliás solicitada por ela. Claro que a equipe técnica precisava entrar em todos os apartamentos. Todos os procedimentos de praxe e de segurança foram feitos, comunicados emitidos e protocolados. Não é que Bruxa não quis receber o comunicado com a data de entrada em sua unidade? A entrada no apê dela seria em dois dias e no primeiro comunicado eu disse que o cronograma seria entregue com até 48 horas de antecedência (preste atenção: “com até” e não “com o mínimo de”). Ah essa Bruxa pede pra me tirar do sério. Quando cheguei ao prédio naquele dia, meu porteiro avisou que a Bruxa não quis receber o comunicado, na petulância e arrogância que são típicas das Bruxas. Na mesma hora interfonei para ela. Fui rápida e rasteira. Direto ao ponto. “Bruxa, interfono para avisá-la com antecedência que a entrada em sua unidade será daqui dois dias, segundo o aviso que vc não quis receber. Essa obra está sendo feita por sua sugestão, lembra-se?” Aí a Bruxa quis interagir e perguntou: “Como vai ser a obra?” e eu respondi: “Receba o comunicado, assine o protocolo e você saberá de todos os detalhes”. Indignada, não sei por que, a Bruxa começa a resmungar: “Você está me ameaçando? Olha que eu tenho advogado e…” – adivinhem o que eu fiz? Claro, eu desliguei o interfone na cara dela. E é claro que ela não estava em sua casa quando a obra deveria ser feita e não deixou a chave aos cuidados da portaria (graças a Deus). E sabe o resultado disso? Ela vai ficar sem antena coletiva e não poderá mais assistir Zorrar Total, Domingão do Faustão, Fantástico, esss programas televisivos favoritos das Bruxas, que são os seres mais isolados, malquistos e anti-sociais que existem.

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Por que justo EU virei síndica???

É, meu cínico leitor (sim, cínico mesmo, afinal pra se entrar num site de uma síndica, só sendo um cínico sádico), já vou logo justificando nessa minha apresentação por que raios eu resolvi virar síndica do prédio onde moro. Sou uma jovem balzaquiana bastante trabalhadora e pão dura o suficiente pra poder atingir meus objetivos financeiros. Há quatro anos Deus foi tão bom comigo que permitiu que eu comprasse meu primeiro imóvel, a kitchnete onde moro. Foi um sonho realizado! Embora kitch, é uma gracinha! Tudo está bem arrumadinho desde o início. Já a peguei reformada, com todos os armários e até ar-condicionado. Aí, naquela ânsia de zelar pelo meu rico e único patrimônio, decidi, na maior ingenuidade do mundo, participar da primeira assembléia para a qual fui chamada. Eu quase não fui. Bendita (ou seria maldita?) hora em que agi por impulso e fui a esta que se tornou constante reunião do meu prédio. Eu sou bem altruísta e daquele tipo “gente que faz”. Boto a mão na massa, não descanso enquanto não vejo tudo em ordem, dou suporte às pessoas que precisam de apoio em causas que simpatizo e sou daquelas lutadoras que acreditam que trabalho em grupo pode funcionar. Ledíssimo engano! De sub-síndica, fui “promovida” a síndica em dois anos e já estou no meu segundo ano do primeiro (quem sabe único) mandato.

Aqui neste espaço quero desabafar (até porque é injusto “alugar” amigos, colegas de trabalho, familiares etc para ouvir meus lamentos, então quem entrar aqui e ler meus posts foi por vontade própria, certo?)… compartilhar as lamúrias, os desafios e – por que não – as conquistas da vida de síndica!

Divirtam-se!!!

A síndica

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